Fábio Almeida

o quê que eu quero com o “h”?

Taí! Se tem um bicho abusado é esse tal de “h”. Não suporto esse cara. Já notou que ele é o maior metido, mas na “hora h”, o que ele faz? NADA.

Olha aí: usei ele duas vezes, em “hora” e “h”, mas quem puxou o carro? Coitado, foi o “o”. Tire o “h” de “hora” e vê se faz alguma diferença. Muito pelo contrário, vai é tirar esse peso das costas do “o”. E no “h” então? Só põe banca esse aparecido. Terceiriza tudo, mas quem trabalha mesmo é o “a”, duas vezes, e o “g”. Ou será que estou doido, estou mentindo? Tá duvidando? Então leia: “agá”. Pronto, diga-me quem que fez o serviço, mas na “ora” (não vou mais usar esse intrometido), quem aparece é o gostosão: “h”.

E veja que abusado, ele não se apresenta em palavra “fraca” não. “Casa”, nem pensar. Mas em “house”, tá lá o bacanão. Falou que é palavra “chic” ou importante, o exibido cresce, é o primeiro da fila. Senão, observe: hálito, honesto, hábito, história, habitat, hermético, hemisfério, hermafrodita, hediondo… e por aí vai. Palavra importante, que todo mundo põe reparo, o “H” (leia-se, “agazão”), tira o paletó do armário e se apresenta como se fosse a maior autoridade.

Para não ser injusto, reconheço que no meio das palavras ele até trabalha um pouquinho. Veja no caso de “penhasco”, por exemplo. Sem ele, ficaríamos sem entender a mensagem: “penasco”. Mas isso também não quer dizer nada, pois, mesmo quando trabalha, e só no meio das palavras, ele escolhe “a dedo”, as palavras mais “chics”.

Taí! O próprio “chic”. Quer ver mais: “sonho”, bonita, e quem não gosta dessa palavra? “Penhora”, é feia, mas importante, todo mundo respeita. “Companheiro”, simpática a todo mundo. “Copenhagenn”, além de metida, é doce e famosa.

Quer dizer, em palavra merreca, esse metido “h” não se mete não. E olha, até  vai de entrão em palavras onde nem é chamado, só porque são bonitas ou importantes. Exemplos? Philosofia, Pharmácia, Philadélfia…

Pra que ele?

Bem! Podem pensar o que quiserem: que sou preconceituoso, ranzinza, turrão… mas esse tal de “h”, eu não engulo. Por mim, ele não precisava nem existir, ou melhor, que fizesse parte do alfabeto, mas lá do Cazaquistão. Em época de guerra, de preferência. E “teje” dito!

Haja humor!

Fábio Almeida

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