O que faz o texto é o seu movimento.

Doce descompasso

Vou viver o meu tempo

Correr, só por esporte

Levar a pressa a passos lentos

Infringir o relógio alheio.

Vou fugir do prazo

Sofrer, só por acaso

Vencer o tédio na teimosia

Partir minha preguiça ao meio.

Quero ver o mato crescer

Ler Proust enquanto aguardo a minha vez

Marcar compromissos para depois da chuva

Festa, só na próxima lua.

Robert de Andrade