Robert de Andrade

bem-vindo ao caos

Com o avanço da nanotecnologia e a novas descobertas na física quântica o homem passou a se sentir ameaçado, o maior medo era de que o computador substituísse o ser humano. Aos poucos a ficção científica parecia estar deixando de ser ficção. A tecnologia sempre recorreu às ciências naturais, o processo de formação de imagem em uma câmera fotográfica se dá da mesma maneira como ocorre com a visão humana. Os computadores têm memória, se a noite enquanto dormimos o cérebro organiza nossas lembranças, na máquina o mesmo ocorre com a desfragmentação; até mesmo o esquecimento foi copiado no recurso limpeza de disco. As agendas dos celulares passaram a nos poupar da memorização dos números de telefones e até datas importantes, e o GPS guarda itinerários, inclusive aqueles pelos quais ainda não passamos.

Diante do eminente desuso do cérebro humano, vários grupos de diversas partes do mundo decidiriam se reuniram com objetivo de criar uma campanha para que as pessoas destruíssem seus computadores. O movimento repercutiu no mundo todo, não pela atitude drástica proposta dos ativistas do grupo Inteligência Natural, mas porque eles difundiam suas idéias por meio da internet. Enquanto os integrantes do IN serviam de chacota, outro grupo, não de ativistas, mas cientistas conceituados, se reunia para mudar a história da humanidade. Esses propunham o contrário, o correto era que a humanidade se autodestruísse, porém o líder dos cientistas se recusou a cometer o suicídio: “uso marca-passo, tenho um chip de identificação implantado no cérebro, uma perna mecânica e só faço sexo virtual, logo não pertenço ao grupo dos humanos”. A igreja condenou a proposta de suicídio coletivo, pois perderia muitos fieis, e se manifestou a favor da destruição da rede mundial de computadores, com a ressalva que antes foi feito um backup do site do vaticano.

Enquanto o Papa Bento XVI jogava paciência no laptop, bebericando um vinho Periquita. Barack Obana lia o seu horóscopo em um site de astrologia. Osama Bin Laden comprava um quarto em uma base orbital chinesa, pra onde pretende fugir após destruição da Terra. No entanto, o fim do planeta ainda deve demorar, pois a bateria do controle que aciona a bomba atômica acabou. E o ditador norte-coreano Kim Jong-il, o primeiro a aderir à destruição dos computadores e jogar o seu pela janela, não sabe como conseguir uma bateria nova, afinal ele sempre comprou da Coreia do Sul pela internet, usado um nome falso: “Chico Cesar”.            

Robert de Andrade

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