Robert de Andrade

Poema da vingança  

Porei para fora todos os meus demônios,

Devolvendo-te as indelicadezas desnecessárias.

Num vacilo de tuas pérfidas investidas

Terás a minha falsa súplica,

Meu impotente remorso,

O beijo reprimido

E o indulto que não pediste.

 

Porei para fora toda a minha mágoa

E farei de tua vida um inferno.

Num descuido de tua maldade,

Semearei a dúvida

Para que brote a discórdia

E então, te ensinarei o perdão.

 

Porei inimizade entre ti e o teu novo amor

E me verás o contrário do que sou.

Iludido pela distância que se faz,

Quando já esquecidos

Os golpes que nos desferimos,

Tentarás pela última vez…

 

Sem saber que:

És de mim o pedaço mais triste,

Mas que teimo e insisto amar.

 

Robert de Andrade

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