Vozes do clima

Posted: 30th julho 2010 by osimpub in O que que há

PALAVRAS E VOZES TÊM FORÇA PARA MUDAR O MUNDO!

FAÇA TAMBÉM A SUA PARTE!

AJUDE A DIVULGAR ESTA CAMPANHA QUE LUTA CONTRA O AQUECIMENTO GLOBAL!

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Desconversas

Posted: 29th julho 2010 by osimpub in Desconversas

A cada dia que passa, mais a Ana Maria Braga parece o Louro José.

V de Verdade

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Textos de colaboradores

Acabo de desligar a TV: o jornal disparou fulminante sobre os ataques criminosos em São Paulo: ônibus queimados, delegacias, bancos, supermercados e outras lojas depredados e alvejados… Carcereiros, policiais e correlatos aos criminosos – se é que há como diferenciar estes dois últimos – são vítimas de atentados. Homens de terno e gravata (invariavelmente secretários de justiça, delegados, políticos, terror-jornalistas e líderes religiosos) vão à televisão afirmando não temerem as ações dos criminosos, estarem prontos a responder tais ações e que “esta violência terá um fim com a prisão dos responsáveis”. O dejà vu é inevitável, mesmo todos nós sabendo que não é este o caso…

“V”

Para aqueles que não conhecem a série (origem do filme) “V de Vingança”, o comentário pode parecer descabido, mas… “V” é um personagem enlouquecido pelas injustiças que sofreu no passado em um campo de concentração inglês, criado num pós guerra nuclear. As mesmas atrocidades que criaram o vulcão de revolta em sua alma transformaram-no em um ser ímpar na sua irracionalidade, poesia e engenhosidade. “V” conversa em rimas, transforma quase todos as suas falas em poemas quando não se apropria de versos alheios para os seus discursos. Munido das armas que o criaram, ele cobra, agora, com sangue a dívida de seus algozes, numa série de atentados que formam um intrincado esquema rico em poesia e destruição. “V” é um terrorista.

O escritor Alan Moore criou “V” na década de 80, não sendo ele uma apologia ao super-terrorismo de hoje e não é esse o nosso foco aqui. Queremos falar (e já o fizemos) do nosso terror diário. Os mesmos homens de terno e gravata que vão à TV são os inimigos de “V” na série… Como resposta ao seu enganoso discurso o sorriso silencioso da máscara de “V” é uma daquelas imagens que prescindem de palavras… Mas nosso anti-herói gosta das palavras e de falar: em monólogo travado com a estátua da Justiça ele confessa amá-la desde a mais tenra idade e que ela o traiu por um “homem de uniforme” a quem passou a pertencer. Em virtude desta traição, “V” foi obrigado a abandoná-la por uma nova amante que “não faz promessas e não as quebra…”. Ela ensinou-lhe que justiça sem liberdade não tem nenhum significado… Seu nome é Anarquia.
A nova paixão de “V”, embora inconcebível pra nós, tomou fôlego nas últimas décadas. Como e por quê, eu me perguntava há pouco, frente as imagens, como pode alguém se sentir livre o suficiente para atacar bens e edifícios públicos ameaçando a vida alheia – ações também perpetratdas por “V”? E como são numerosos… “Ora, Arthur, Vi veri veniversum vivus vici*!!,”, diria o personagem. “Eu sou um sentimento nessas pessoas, um espírito nelas; ao sufocar o grito delas você estará apenas me dando mais forças já que foi daí que surgí, daí mesmo vieram as minhas armas. Das favelas, do desemprego, da falsa e hipócrita democracia, da indiferença, disso que chamam de polícia a quem me aliei, da frustração de desejos diária e compulsiva e da dor que embebe tudo isso. Foram esses o meu campo de concentração, a minha ditatura (não) declarada, o meu exército nas ruas, meus laboratórios de experimentos bio-genéticos a cèu aberto… E sou eu agora um paradoxo por que minha fome cresce quando você me alimenta e quando me ignora sou eu quem creço… Livre….”.

No clímax que conclui o filme, uma multidão de “V”´s toma praça pública – na série isso não ocorre; o personagem é, originalmente, “cult” e sombrio demais para uma manifestação tão popular e hollywoodiana… – e subjulga, sem maior esforço, a polícia militar para assistir a destruição das casas do Parlamento inglês. Aqui a imagem é mais apropriada à nossa realidade, ao nosso V de verdade, quando pessoas sem rosto, sem uniforme, imbuídas de um espírito de vingança – no plano racional controlado, ora pela criminalidade ora por oportunista, como na invasão à Câmara dos Deputados em Brasília – avançam e agem em retaliação às grossas camasdas de injustiça social acumuladas década sobre década, homem sobre homem, espírito sobre espírito.A diferença absoluta e inescapável, para além da forma, é que o nosso filme não tem fim.
*Traduzido do latim: “Pelo poder da verdade eu, enquanto vivo, conquistei o universo… ” citação – retirada da série – do protagonista da tragédia Fausto escrita por Goethe, baseada na figura lendária do mágico e alquimista Johan Faust (aproximadamente, 1480-1540) que teria feito um pacto com o diabo.

 Arthur Toledo

Pós-herói

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Robert de Andrade

Os super-heróis me ajudaram a entender que meus atos jamais teriam a magnanimidade necessária para salvar a humanidade do “mal”, ou seja, eu não vou conseguir mudar o mundo. Não o mudei, no entanto não deixei de tentar. Mais tarde, depois de matar o super-homem e o homem-aranha, voltei a pensar nesses sujeitos poderosos e narcisistas. A palavra super-herói, além de redundante, é também uma tentativa hollywoodiana de superlativar o herói. Do grego ‘hrvV, em latim heros, originalmente diz do protagonista de uma obra dramática. O herói grego, como sendo filho da relação de um Deus e um mortal, está na posição de semideus; já o super-herói estaria acima, mais próximo da condição de Deus, longe das mazelas humanas.

Tratando-se de uma das múltiplas representações divinas, necessita do antagônico diabo, razão pela qual se conclui que a utilidade do Batman ou do Capitão-América está intrinsecamente vinculada à existência de uma força contrária a ameaçar a América ou Gotham City.

O heroísmo faz parte da história da humanidade. Na mitologia grega, na literatura romana, chinesa clássica, persa, africana, sempre de forma análoga, o herói foi uma referência de superação e transcendência.

No século XX, as duas vertentes – heróis e super-heróis – distanciaram-se, passando o heroísmo a ser visto de uma perspectiva mais social e filosófica, com representação no operário, sindicalista, enfim personagens comprometidos com causas sociais e políticas, que combatiam o mal da corrupção e opressão; enquanto isso, os Super-heróis Americanos e ingleses esbanjavam dinheiro em carrões esportivos e armas ultrapoderosas.

Os heróis clássicos Héracles, Jasão, Eneias, que serviram de referência para os muitos sucessores, já não me despertam nenhuma ânsia de heroísmo; enquanto os Super foram reformulados e adaptados para a atualidade. Penso que, neste caso, me caberia então o anti-herói, posição contrária que, de fato, é bastante tentadora, lugar de sujeitos como Nietzsche, Baudelaire, Che.

No entanto, os anti-heróis também foram reformulados e, hoje, são chefes do tráfico. Não temem a morte e, ao contrário dos super-heróis, sabem que são mortais, mas também sabem que são admirados por centenas de crianças que não acham graça nenhuma nos X-Men ou no Incrível Huck. A criançada do morro já sabe que arma super-poderosa é fuzil AR-15, submetralhadora israelense ou PT-380.

Há também o heroísmo descartável que passa na TV, como os velhos episódios da Sala da Justiça, porém agora as personagens não usam o disfarce clássico, dispensam os atos heróicos e ainda assim são chamados de heróis em rede nacional por um tal Pedro Bial. Mas não é só Big Brother que dá oportunidade para que um zé ninguém se torne um herói descartável, o futebol, a guerra do tráfico, a música, os desfiles de moda sempre se encarregam disso.

Os heróis perdem o fascínio à medida que envelhecemos e passam a pertencer às lembranças da infância e da juventude. Já com relação ao pós-herói, que não é seu arquétipo ou antítese – mas o mais mortal de todos, aquele que tem os poderes limitados pelo curto salário e a falta de tempo –, quanto mais o tempo passa mais tem minha admiração. Suas atitudes são simples, mas tão difíceis de imitar quanto um vôo do Super-Homem. Ele sobreviveu a uma cirurgia para trocar a válvula aórtica, ele enfrentou ônibus lotados, as diversas crises econômicas, o desemprego e muito mais.

Mesmo sem super-poderes, encontrava tempo para me contar as peripécias de sua infância e, sem saber se declarar, me beijava, afinal o pós-herói não se gaba do que faz, ele apenas faz.

Robert de Andrade

Um amigo me disse que a cena mais bizarra de Pink Flamingos “é aquela transa no meio das galinhas”. Minha mulher diz que a transa bestial não é nada perto da “dança do cu”. O vendedor de ovos, o aniversário de Divine, a antropofagia grupal… Não adianta tentar encontrar a cena mais esquisita ou mais surpreendente do filme.

Pink Flamingo foi lançado em 1972 no circuito underground, onde alcançou extraordinário sucesso e tornou-se ícone do cinema bizarro. O filme mostra a trajetória da drag-queen Divine e sua família, que, juntos, travam uma disputa contra o casal Connie e Raymond Marble pelo posto de “pessoas mais sujas do mundo”. O casal escalafobético usa das mais insólitas artimanhas para eliminar Divine.

Repleto de bizarrices como a manutenção em cativeiro de jovens moças, que seriam estupradas e teriam suas crianças vendidas a casais de lésbicas, o filme desenvolve-se numa profusão de excentricidades, que se emaranham na construção da trama simples, porém inusitada, do filme, cujas cenas dificilmente causariam a mesma impressão se lidas ao invés de assistidas. Com trilha sonora de The Centurions, The Trashmen, Patti Page e Little Richard, o longa de baixo orçamento é marco na carreira do diretor John Waters, e o põe em destaque no cenário de cinema independente.

Vale mencionar que essa comédia/horror, com status de cult movie, emergiu num contexto histórico-político marcado pelas diversas manifestações que ocorriam pelo mundo, principalmente nos Estados Unidos, com destaque para o Flower Power, Black Power, Gay Power, Women’s Lib etc. Tal contexto também explica o porquê de Pink Flamingos ter atraído um público formado por adolescentes e universitários, que viam na obra uma voz da contra-cultura.

Robert de Andrade

Os invisíveis

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Robert de Andrade

A matéria do sonho pode ser sentida, tocada ou até mesmo trazida para nossa suposta realidade. No entanto, o domínio sobre este campo da abstração requer uma longa jornada; deve-se ter uma vida miserável ou, no mínimo, monótona, a ponto de rejeitar a vida repetitiva que incide sobre nós quando estamos acordados, preferindo a que se desenvolve de olhos fechados – no sono. Quando criança, perguntei à minha mãe se todas as pessoas sonhavam. Sua resposta foi afirmativa; e se houvesse alguém desprovido de sonho, ela disse que esta pessoa seria considerada louca. Mais tarde descobri que mamãe estava redondamente enganada, pois os loucos não são os que não sonham ou os que sonham de menos, são os que não conseguem distinguir os sonhos da realidade – neste caso eu me enquadrava na configuração dos loucos. Há um momento – obviamente se nos dedicarmos com profundidade – em que conseguimos criar uma relação, até mesmo amistosa, entre o verossímil e o onírico. Ao atingir esta obscuridade, ou por que não dizer clareza de consciência, deparamo-nos com realidades fantásticas como: a menina que conseguia trazer para realidade bonecas encontradas em seus sonhos, o que fez com que levasse uma surra de sua mãe por achar que ela as vinha roubando de alguém; o velhinho analfabeto que ficou uma semana em coma, devido a uma queda, e, ao recobrar as faculdades mentais, trouxe consigo um vasto conhecimento sobre as línguas alemã, francesa, russa, catalã e inglesa; e também o caso daquele rapaz, cujo apelido era Carranca – por ser feio em demasia –, que não conseguia encontrar nenhuma namorada na sua vida acordada, no entanto foi buscar – e encontrou –, em um dos sonhos mais belos, a moça mais linda que já havia visto, com a qual saía pelas ruas abraçado, sem dar ouvidos para as pessoas que o chamavam de louco, pois ninguém a via, somente ele.

Ver o que os outros não vêem, ouvir os sons do silêncio, tampar os olhos e ouvidos para os gritos e acenos da moralidade, romper limites, dizer o que pensa, fazer o que sente, abandonar a culpa e sentir o gosto do beijo de alguém que você nunca beijou, são comprovações da materialização do sonho. “O caminho é a vontade”, dizia o escritor que ninguém via nem lia, porque estavam todos atrelados às suas visões padronizadas, mas ele estava ali e disse mais sobre seu estudo sobre a invisibilidade: “O entendimento acerca da invisibilidade é fácil, se observado inversamente. Se a principal motivação da busca é a materialização do sonho, o contrário podemos chamar desmaterialização da realidade. A morte é melhor exemplo, o fato de as pessoas deixarem de ser concretas não significa que elas foram eliminadas inteiramente. Aqui, não trato da existência ou não de espíritos, o que ocorre com os mortos é um retorno à condição abstrata, o mesmo estado em que se encontram os sentimentos. A desmaterialização somente pode ser considerada definitiva em um aspecto: o de que não há como reverter morte em vida concreta, entretanto podemos manter contato com os seres invisíveis nos níveis da abstração.” Desde a primeira vez que nos encontramos, o escritor que ninguém via nem lia, fez questão de frisar que Ele jamais fora um ser visível e, sendo assim, está suscetível a materialização.

Robert de Andrade

O testemunho

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Barroso da Costa

- Ajeita a luz, Silveira. Isso… Pronto! Testemunho 22, take 1. Gravando.

- Sim, meu nome é Mário de Souza Bittencourt, ex-ator de televisão. Tenho 26 anos. É… eu atuei naquela novela, sim. Falar sobre minha vida? Desde pequeno tenho manias, vícios. Lembro-me de quando ficava o dia inteiro trocando figurinhas. Colecionava de tudo, das caras dos jogadores de futebol a selos postais. Na adolescência começaram as apostas… Primeiro, as bolinhas de gude, depois o pife-pafe a valer e, por fim, já brincava de roleta-russa. Era viciado naquela possibilidade de perda. Drogas? Fumei maconha minha vida inteira. Aos quinze comecei a cheirar e, aos dezessete, já estava totalmente fissurado no crack, sem contar o cigarro, que me fumava, e a cachaça, que consumia diariamente aos litros. Cheguei a transar com mais de três mulheres por dia. Depois que entrei para a Igreja? Não. Aí eu parei com tudo. Jesus me libertou, aleluia. Hoje já não sou viciado em mais nada. Freqüento a Igreja de manhã, de tarde e de noite. Oro ao Senhor a cada segundo e assisto a, pelo menos, cinco cultos por dia. Não paro nem para comer e chego a dormir no templo. Já não tenho mais vícios, nenhum vício. Como disse o Pastor Josias, hoje só há espaço para Jesus na minha vida.

- Excelente! Corta.

Barroso da Costa

O maior amor do mundo

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Barroso da Costa

Outro dia vi a propaganda de um filme brasileiro, com o José Wilker, intitulado “O Maior Amor do Mundo”. Parecia tratar do amor de um senhor por uma moça, no frescor e rigidez de seus vinte e poucos anos… Não sei, não assisti ao filme, mas a poética obviedade do título, somada aos trechos exibidos, chamou-me a atenção.

Todo amor é o maior amor do mundo, e, em se tratando de amor, não há como falar de pequenos ou grandes, é simplesmente amor, e o maior. Pode-se falar em mais ou menos simpatia, mais ou menos tesão, mas o amor, dada sua nobreza, não admite tal gradação plebéia.

Tentar definir o amor seria como tentar colocar o mar dentro de um copo lagoinha – agora eu me senti o Wando, definitivamente. Porém, sendo um sujeito neurótico agarrado ao Simbólico, me aventuro nesta ousada empreitada e me arrisco a dizer que o amor é aquilo que te invade silenciosamente, acendendo algo que faz brilhar os olhos, de modo a iluminar futuros e histórias que você ainda não havia imaginado. O amor, então, pode-se dizer, é o pai da esperança, uma espera com dança, na cadência de um compasso que muda nossa respiração e nos faz suspirar sem saber por quê.

É aquilo que te faz desejar uma mulher também como mãe de seus filhos.

Tanto pode começar, como pode acabar em qualquer esquina, já o dizia Paulo Mendes Campos. E, se sua saída de nossa morada pode ser difícil de identificar – porque não a queremos –, a chegada de um amor é inconfundível, embora sempre se anuncie com fantasias. Aliás, deve ser por isso que a vida ganha ares de festa…

Mas acredito que a grandeza maior do amor – e de cada um deles – explica-se pelo fato de se tratar de uma experiência essencialmente singular, embora universalmente conhecida. Por isso é o sentimento preferido das penas dos poetas, em todos os sentidos. Não seria a poesia a arte de bem universalizar o que é desmesuradamente subjetivo? Pois bem, se a singularidade de cada ser humano faz únicas as suas dores e experiências, não seria diferente com o amor, cuja força escapa a qualquer limite, alcançando o universal. Assim, não havendo como dividir ou compartilhar a essência de um sentimento que vibra insistente, se não existem meios de estabelecer paralelos de comparação para defini-lo ou medi-lo, este só pode ser o maior sentimento do mundo, pelo menos para quem o sente.

Não sei quanto a vocês, mas ando acreditando que o maior amor do mundo vem de olhos doces e mirada profunda, tem sorriso meigo e jeito de flor, daquelas que só crescem nos mais belos jardins de Florença…

Barroso da Costa

Impublicáveis

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Textos de colaboradores

Tudo que é bom é imoral, é ilegal e impublicável. É verdade que se trata de um trocadilho salafrário com o nome desta revista, e o refrão de uma musiquinha yê yê yê,  mas não poderíamos nos esquivar de falar nestas toscas páginas de vetos e censuras. Não é necessário o leitor virar a página com medo de ler mais uma história de Chico Buarque, Geraldo Vandré e a saga do jornal Pasquim. Sem obviamente desmerecer as histórias destas ilustres figuras, mas é que a dita já está mole de tanto ouvir falar de ditadura.

Podemos trocar essas finas flores da burguesia carioca (dos anos 60) pelos favelados contemporâneos desta mesma cidade, que descobriram na “impublicação” um grande e lucrativo segmento de mercado. Ou vão dizer que os proibidões do Funk não geram às suas cifra$? É tudo paralelo, inclusive a contabilidade. E a força da disseminação deste gênero está justamente na proibição. Se pensarmos bem, não seria tão irônico ou delirante pensar que censuras e vetos são na verdade estratégias de marketing que usam de psicologia invertida para tocar o público. Viajei né?

Talvez não. Lembro-me que quanto mais eram proibidos os shows do extinto Planet Hemp, maior era a tiragem do CD, a divulgação da banda, e o movimento das bocas de fumo. Tiro pela culatra ou cooperação entre mercados? Tudo é valido, mas nem sempre publicável. Gabriel o Pensador pensou direitinho e fez uma música assassinando o chefe de sua mãe a jornalista Belisa Ribeiro, que trabalhou como assessora de imprensa, do então já assassinado politicamente, ex-presidente Fernando Collor. Histerias à parte e a sua singela homenagem foi censurada. Acabava de nascer uma estrela. 

Os censurados ganham uma áurea mística e revolucionária que muitas vezes são desproporcionais ao que querem propor. Tornam-se heróis de uma causa comercialmente elaborada. Para ilustrar isso temos o Marcelo D2. No inicio de sua carreira, algumas de suas músicas faziam críticas pesadas à indústria cervejeira, e menos de um ano depois, estrelou um comercial da Brahma. Depois acusam o João Gordo de trair o movimento.

Censurar é divulgar. E para esta revista que já é um dos eventos mais ousados do jornalismo mineiro (palavras de especialistas) fica a sugestão: cutuque a próstata moral de um figurão qualquer com um dedo de grossa ironia. Vamos torcer para que este se zangue e tente barrar a publicação seguinte, e pronto. Podemos vender os espaços publicitários pelo quíntuplo do valor atual. Deve dar uns dez reais mais ou menos.

 Guilherme Gilliard

Forte e rasteiro

Posted: 27th julho 2010 by osimpub in Fábio Almeida

Reza a lenda que um treinador de futebol havia dito aos seus jogadores:

_ Pênalti se bate assim: forte, rasteiro, no canto que o goleiro não tá!

Tão óbvio que até hoje não sei por que os jogadores insistem em perder pênaltis.

Agora, nos “tempos modernos”, recebo inúmeros e-mails com lições maravilhosas de vida. Pregam amor, paciência, compreensão, atitude, perseverança… e todas as qualidades, e todas as virtudes que o homem deveria ter, ou não tendo, deveria praticar para levar uma vida melhor e tornar o mundo mais humano.

Aí eu me entristeço muito, porque me sinto tão fraco: a “fórmula” ali, resumida, “de bandeja” para eu melhorar e tornar a minha vida mais feliz… e mesmo assim, continuo praticando coisas que me angustiam e às vezes, resultam em sofrimento..

Será que há algo errado comigo? Tenho certeza que sim. Mas também acredito que se a vida fosse tão simples, tomar conhecimento do que é bom, do que é certo e já a partir daí, operar uma mudança, a humanidade seria completamente diferente. Desde o seu princípio.

Até vou confessar uma coisa, sem falsa modéstia: sou um verdadeiro livro de auto-ajuda ambulante. Já bebi em várias fontes e sou capaz de escrever dezenas de páginas floreadas de virtudes e generosidades que, uma vez praticadas, seriam capazes de esvaziar penitenciárias. Lógico, se todos aqueles detentos se dispusessem a praticá-las. Mas aí é que está o grande segredo: como é que conseguimos mudar nossos hábitos e atitudes, sem achar que estamos violando nossas convicções? Temos condições de reconhecer nossos defeitos sendo que às vezes até achamos que eles são virtudes? É aí que não tem fórmula, roteiro ou manual.

E se não consigo chutar forte nem rasteiro, ou o goleiro escolhe o canto depois que eu bater o pênalti? Tem um plano “B”?

Assim como as bulas dos remédios, os e-mails me dão a fórmula e os ingredientes, mas não ensinam como conseguir, em que parte da alma encontrar e como fazer para transformar ansiedade em paciência, ambição em conformação, rancores em perdão, ódio em amor.

Mas não perdi as esperanças, acredito que vai chegar a fase em que as fórmulas virão junto com o mapa do coração e, quem sabe, os segredos da Alma.

                Fábio Almeida