Robert de Andrade

Apartar  

– E agora, nego, quem será o meu parceiro,

Meu contraponto, meu fiel escudeiro?

Me diga, mano

Porque partiu na contramão,

Deixando a mãe, o pai, o filho e eu, irmão?

 

– É… meu preto, ele partiu pra nunca mais voltar

Estava tão lindo antes do baile

De boné novo e corrente no pescoço, era tão moço,

Mas agora só ficou você pra me ajudar.

 

– Nesse instante não posso, mãe

Mal consigo respirar

Queria era me diminuir e ao seu ventre voltar

Porque lá dentro, mãe

Eu sempre estive ao lado de meu mano.

 

– Ele está tão lindo, filho

Só não gostei dessas flores no seu peito

Vem cá, olha pra mim

Que vou te arrumar direito.

 

– Está tudo errado, mãe,

Eu é que devia ter ido,

Sou meio torto e não tenho filho,

Isso é muita maldade com a gente

E com o molequinho.

 

– Sua mão está fria, filho,

Mas sabe por quê?

Porque agora o mundo todo é frio.

Onde já se viu separar a mãe do filho.

 

Robert de Andrade

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